Vestido de Mãe Bernadete vai para o acervo nacional e fortalece a memória quilombola no seu dia a dia

Destaque • Redação NinjaFSA

A entrega da indumentária da ialorixá ao Museu Nacional aproxima a história de resistência dos povos tradicionais da nossa rotina cultural e educacional.

Resumo da Notícia
  • A indumentária pessoal da ialorixá Mãe Bernadete foi doada ao Museu Nacional, no Rio de Janeiro.
  • A entrega foi feita por seu filho, Jurandy Pacífico dos Santos, durante o evento Diálogos da Reconstrução.
  • A peça simboliza os 72 anos de dedicação da líder quilombola baiana à defesa dos territórios e direitos humanos.

Manter viva a história de quem lutou pelo nosso povo é algo que agora ganha mais espaço na nossa rotina e nos espaços culturais que frequentamos. A roupa que pertencia à ialorixá e líder comunitária Mãe Bernadete passou a fazer parte do acervo do Museu Nacional. A entrega emocionante da indumentária foi feita por seu filho, Jurandy Pacífico dos Santos, durante a terceira edição do evento Diálogos da Reconstrução.

Para quem vive e apoia a luta pela justiça social e pela preservação das tradições, ver essa vestimenta em um grande espaço cultural traz um sentimento de orgulho e pertencimento. A iniciativa ajuda a contar a verdadeira história do Brasil nas escolas e nos museus, valorizando as raízes afro-brasileiras perto de você.

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Como isso afeta você

A chegada de peças de lideranças tradicionais aos museus aproxima a história quilombola do nosso cotidiano, enriquecendo a educação das crianças e fortalecendo o respeito à diversidade cultural em todo o país.

“A doação da indumentária, não é apenas a doação de um objeto. Aquilo não se trata de um objeto. Se trata além disso. Se trata de ancestralidade. Se trata de uma mulher que dedicou 72 anos de sua vida para a defesa dos Direitos Humanos, dos quilombolas e do território.”

— Jurandy Pacífico dos Santos, gestor cultural e filho de Mãe Bernadete

Uma trajetória marcada pela coragem na Bahia

Mãe Bernadete era uma força viva na Comunidade Quilombola de Pitanga de Palmares, situada na cidade baiana de Simões Filho. Ela dedicou 72 anos de sua vida à defesa dos Direitos Humanos e dos territórios tradicionais, além de enfrentar com firmeza a expansão do tráfico de drogas na região. A família já sofria com a violência desde 2017, quando seu outro filho, Binho do Quilombo, foi assassinado, o que obrigou os familiares a entrarem em programas de proteção.

A tragédia se repetiu em 17 de agosto de 2023, quando a liderança foi morta a tiros dentro de sua residência, em um crime que teve 25 disparos efetuados. O caso gerou grande comoção e mobilização por justiça, resultando em investigações profundas e na condenação judicial de envolvidos.

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Entenda o que significa

Ialorixá: Sacerdotisa dos cultos de matriz africana, responsável pela condução de rituais e pela preservação de tradições religiosas e comunitárias.

Quilombo: Comunidade formada originariamente por descendentes de escravizados que lutam pela regularização de suas terras ancestrais e pela preservação de seus modos de vida.

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Mesmo com a dor da perda, a memória de Mãe Bernadete ganha eternidade com a preservação de sua peça de uso pessoal na instituição carioca, mostrando que a luta pelos direitos e pela terra continua viva para as próximas gerações.

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