Áudios revelam ordem para colar adesivos em ônibus no dia da eleição em Salvador

Investigação apura se a manobra nas garagens provocou a redução da frota e atrapalhou a vida de quem precisava votar.
Resumo da Notícia
  • Áudios atribuídos ao presidente interino do Sindicato dos Rodoviários mostram orientação para adesivagem de ônibus.
  • Procuradoria Geral do Estado acionou o Ministério Público Federal para apurar crime eleitoral.
  • Vereadores articulam investigação na Câmara Municipal de Salvador após problemas na frota.
Áudios revelam ordem para colar adesivos em ônibus no dia da eleição em Salvador
Foto: Divulgação / www.jornalfolhadoestado.com / www.jornalfolhadoestado.com (Uso jornalístico / Divulgação oficial (www.jornalfolhadoestado.com))

Pegar o ônibus no domingo de eleição virou um verdadeiro teste de paciência para quem precisava se deslocar pela capital baiana. A retenção de veículos nas garagens e a escassez de coletivos nas ruas acabaram prejudicando o direito de ir e vir de milhares de eleitores e trabalhadores. Por trás dessa lentidão no sistema de transporte, investigações apontam que houve uma articulação política nos bastidores envolvendo o sindicato da categoria.

Novos elementos vieram à tona com a circulação de áudios atribuídos a Fábio Primo, presidente interino do Sindicato dos Rodoviários. Nas gravações, ele orienta os trabalhadores a priorizarem a colagem de material de campanha em veículos específicos que realmente iriam rodar, já que a quantidade de adesivos enviada não seria suficiente para toda a frota.

Como isso afeta você

Quando os ônibus ficam presos nas garagens por motivos políticos ou burocráticos, quem paga a conta é o cidadão comum. A falta de transporte no dia da votação dificulta o acesso às urnas, obriga o passageiro a esperar horas nos pontos e desorganiza a rotina de quem depende exclusivamente do sistema público para trabalhar ou exercer a cidadania.

As conversas revelam a pressa para mobilizar a categoria em um momento decisivo. Em um dos trechos que integram as apurações, a ordem era clara sobre a necessidade de engajamento:

“Temos que pegar o material. O momento é crucial. Não existe outra alternativa, então todo mundo tem que se doar um pouco”,

Fábio Primo, presidente interino do Sindicato dos Rodoviários, em áudio atribuído à sua autoria.

Diante da repercussão e dos transtornos registrados nas ruas durante o segundo turno, órgãos de controle e fiscalização decidiram agir. A Procuradoria Geral do Estado apresentou uma queixa-crime junto ao Ministério Público Federal para investigar a ocorrência de supostos crimes eleitorais e a paralisação estratégica dos veículos.

Entenda o que significa

Uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) é um instrumento utilizado por vereadores para investigar fatos determinados que envolvam a administração pública ou serviços essenciais. Para que ela seja criada na Câmara Municipal de Salvador, por exemplo, o grupo de oposição precisava reunir 14 assinaturas, tendo alcançado inicialmente 10 apoios.

Enquanto o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia realizou vistorias nas garagens das empresas para checar o que de fato aconteceu, o clima na política soteropolitana esquentou. Um grupo de parlamentares da oposição tentou emplacar uma investigação formal na Câmara Municipal, mas esbarrou na falta do número mínimo de assinaturas necessárias no Legislativo.

Do outro lado, a direção do Sindicato dos Rodoviários rejeitou veementemente as acusações. Em nota oficial, a entidade classificou as denúncias como uma tentativa de distorcer os fatos e de colocar nas costas dos trabalhadores a responsabilidade por falhas operacionais que teriam outras origens.

25 de Outubro

Dia de votação do segundo turno registra retenção de ônibus nas garagens de Salvador.

27 de Outubro

Câmara articula investigação e TRE-BA apura relatos de falhas no sistema.

30 de Outubro

Divulgação de áudios expõe suposta orientação sindical sobre adesivos em coletivos.

As apurações continuam em andamento nas esferas jurídica e política para esclarecer se houve uso político da máquina sindical e prejuízo deliberado à mobilidade urbana da população.

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